Por muito tempo, os paleontólogos acreditaram que fósseis excepcionalmente preservados só poderiam se formar em ambientes praticamente sem vida microscópica. A lógica parecia simples: quanto menos bactérias, menor a decomposição e maiores as chances de estruturas delicadas resistirem ao tempo. Um estudo publicado este mês na revista científica iScience desafia justamente essa ideia. Pesquisadores brasileiros e estrangeiros identificaram um mecanismo de fossilização até então desconhecido que ajudou a preservar um pterossauro encontrado na Formação Romualdo, na Bacia do Araripe (CE), por cerca de 113 milhões de anos. Mais do que manter intacta a estrutura tridimensional do animal, o processo permitiu conservar biomoléculas extremamente frágeis, incluindo vestígios de esteroides. Isso é considerado raro até mesmo entre os fósseis mais importantes do planeta. A descoberta não apenas amplia o entendimento sobre como fósseis excepcionais se formam, mas reforça um papel que o Brasil vem conquistando nas últimas décadas: o de protagonista na paleontologia mundial. O Olhar Digital conversou com Renan Bantim, doutor em Geociências pela Universidade Federal de Pernambuco (com tese sobre pterossauros do Brasil), pesquisador na Universidade Regional do Cariri e curador associado ao Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, para entender a importância do trabalho e da Bacia do Araripe no cenário da paleontologia. Um fóssil que ainda tinha muito a revelar O exemplar analisado pertence a um pterossauro da família Anhangueridae, grupo de répteis alados que dominava os céus durante o período Cretáceo. Apesar de frequentemente associados aos dinossauros, os pterossauros pertencem a um grupo evolutivo diferente. “Os pterossauros são répteis, assim como os dinossauros e os répteis marinhos, mas cada um pertence a um grupo distinto. Eles foram organismos que desenvolveram adaptações para o voo ativo, mas não são dinossauros”, explicou Bantim. Embora o artigo tenha sido publicado ape...
Fonte: Olhar Digital
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