Soberania ou colonialismo? A corrida bilionária por trás dos data centers no Brasil

Soberania ou colonialismo? A corrida bilionária por trás dos data centers no Brasil
Quem contorna Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, pelo Rodoanel Mário Covas vê um monólito com fachada espelhada que destoa dos arredores. Aquilo é um data center. Silencioso por fora, o prédio pulsa por dentro com o processamento ininterrupto de computadores gigantescos. Estruturas do tipo servem de contraponto para aquela ideia de que a internet e a inteligência artificial (IA) funcionam numa “nuvem” – sem peso, sem corpo e sem rastro ecológico. Na verdade, o ambiente digital é bem terrestre. Ele exige concreto, hectares de solo e uma infraestrutura que o governo brasileiro tenta expandir. Para transformar o país num polo dessa engrenagem, o Ministério da Fazenda apresentou, em 2025, a Política Nacional de Data Centers. E o coração dela era o Redata, regime especial de isenção fiscal criado para baratear a importação de servidores de alta performance. Só que o plano do governo federal ruiu no Congresso quando a Medida Provisória nº 1.318/2025, que tinha criado o Redata em setembro de 2025, caducou em fevereiro de 2026 (por isso a MP aparece toda riscada no site do Planalto). Isso deixou o setor num vácuo jurídico às vésperas da entrada em vigor da Reforma Tributária (o Olhar Digital mergulhou nesse assunto em março). No entanto, a velocidade do Estado corre num ritmo diferente da voracidade do mercado. Mesmo sem o incentivo federal ativo, bilhões de dólares privados continuam a ser injetados na construção de complexos no interior de São Paulo, no Sul e no Nordeste, impulsionados pela febre global da IA generativa. Por trás do discurso corporativo de “infraestrutura verde”, legitimado pela matriz elétrica majoritariamente limpa do Brasil, esconde-se uma pressão severa sobre os recursos mais fundamentais à vida humana. Data centers enormes demandam energia equivalente à de estados inteiros e drenam rios e aquíferos locais para resfriar processadores que trabalham constantemente no limite térmico. E há quem diga que essa corrida avança num cenário de desre...

Fonte: Olhar Digital
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