*Por Fernando Moulin Bernie Sanders escolheu uma frase feita para atravessar a bolha da tecnologia. Em carta enviada a Sam Altman, Dario Amodei e Mark Zuckerberg, o senador americano pediu que OpenAI, Anthropic e Meta pausassem o desenvolvimento da inteligência artificial e resumiu o alerta em uma ordem: parem de construir máquinas que os humanos não conseguem controlar. Há anos repetimos que é preciso humanizar a tecnologia. Isso significa tornar sistemas mais acessíveis, intuitivos e conversacionais. Saímos de comandos que exigiam treinamento para interfaces que entendem a nossa fala, ajustam o tom, reconhecem contexto e produzem em segundos uma mensagem de aniversário, um pedido de desculpas ou um texto para o LinkedIn. A máquina deixou de exigir que aprendêssemos a sua linguagem. Ela aprendeu a nossa. A fronteira deixou de ser hipotética. Em uma pesquisa nacionalmente representativa com 1.060 adolescentes de 13 a 17 anos nos Estados Unidos, publicada pela Common Sense Media em 2025, 72% disseram ter usado companheiros de IA ao menos uma vez; 52% eram usuários regulares. Um terço afirmou recorrer a essas ferramentas para interações sociais ou relacionamentos, incluindo amizade, apoio emocional e flerte. Uma colaboração de pesquisa entre OpenAI e MIT Media Lab ajuda a colocar nuance nessa conversa. Depois de analisar de forma automatizada quase 40 milhões de interações e conduzir um estudo controlado com cerca de mil participantes, os pesquisadores concluíram que o envolvimento emocional intenso com a máquina ainda é raro e concentrado em um grupo pequeno. Ao mesmo tempo, o uso diário prolongado apareceu associado a resultados piores para alguns usuários. Os próprios autores alertam que várias relações observadas não demonstram causalidade e os achados iniciais não devem ser generalizados. Mesmo assim, a pergunta está posta. A sociedade ficou mais rápida, mas não necessariamente mais humana Durante a pandemia, empatia virou uma das palavras mais repetidas por empr...
Fonte: Canaltech
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